
Quais são os riscos psicossociais no trabalho? Essa é a pergunta que mais chega ao RH depois que a empresa começa a mapear a saúde mental das equipes. E, logo em seguida, vêm as mais específicas: ritmo de trabalho é um risco psicossocial? Falta de reconhecimento entra no PGR? Conflito entre trabalho e família conta?
Riscos psicossociais são fatores ligados à forma como o trabalho é organizado, gerido e vivido que podem causar estresse, adoecimento mental e afastamentos. Sobrecarga, falta de autonomia, liderança ausente, falta de clareza de papel e assédio são alguns exemplos.
Para medir esses fatores, um dos instrumentos mais usados no mundo é o questionário COPSOQ II (Copenhagen Psychosocial Questionnaire). Ele organiza os riscos psicossociais em 7 domínios, e cada domínio reúne escalas que avaliam um aspecto específico da rotina de trabalho.
Neste guia, você encontra a lista de riscos psicossociais do Ministério do Trabalho, exemplos práticos de cada um e o que o COPSOQ II avalia em cada domínio. Ao final de cada seção, há um link para o conteúdo completo sobre aquele grupo de riscos.
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Em 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego publicou o Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho, que lista 13 fatores de risco psicossocial. Veja a lista e em qual domínio do COPSOQ II cada um aparece:
Ou seja: os termos do guia do MTE e as escalas do COPSOQ II falam dos mesmos riscos, com nomes diferentes. Quem conhece os dois consegue explicar o diagnóstico para a liderança e, ao mesmo tempo, registrar tudo no PGR com a linguagem da norma.
O COPSOQ foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde Ocupacional da Dinamarca, em Copenhague. A segunda versão, publicada em 2010, é a base da maioria das aplicações atuais e existe em três tamanhos:
Este guia segue a versão média, que equilibra profundidade e tempo de resposta e é a que aparece com mais frequência nos diagnósticos de riscos psicossociais para o PGR.
A NR-01 não define um questionário obrigatório. O que ela exige é que os riscos psicossociais sejam identificados, avaliados, classificados e registrados no inventário do PGR, com base técnica que possa ser apresentada em uma fiscalização.
O COPSOQ II atende a esse critério porque tem validação científica internacional, mede fatores do trabalho (e não só sintomas) e gera um resultado por escala que pode ser comparado entre áreas e entre ciclos de avaliação. Para entender como ele se compara a outras metodologias, leia COPSOQ II, JSS, ISO 45003: qual metodologia a NR-01 aceita.
Na versão média, as 28 escalas estão distribuídas assim:
Avalia o quanto o trabalho pede da pessoa em volume, velocidade e carga emocional.
Exemplos de riscos psicossociais na prática: hora extra frequente, pausas comprimidas, metas que só fecham com esforço além do horário e áreas de atendimento ao público com alto desgaste.
Esse é o domínio onde aparece a sobrecarga de trabalho, o risco psicossocial mais comum nos PGRs.
Leia o guia completo sobre exigências no trabalho.
Avalia se a pessoa tem voz sobre o próprio trabalho, se enxerga sentido no que faz e se tem espaço para crescer.
Exemplos de riscos psicossociais na prática: microgestão, tarefas repetitivas sem perspectiva de mudança, baixa adesão a programas internos e turnover voluntário acima da média.
Leia o guia completo sobre organização e conteúdo do trabalho.
É o domínio com mais escalas (oito) e, em muitos diagnósticos, o que concentra a maior parte do plano de ação. Avalia a qualidade da comunicação, do apoio e da gestão no dia a dia.
Exemplos de riscos psicossociais na prática: mudanças anunciadas em cima da hora, funções sobrepostas, conflitos entre áreas e lideranças sem preparo para conversas difíceis.
Leia o guia completo sobre relações interpessoais e liderança.
Avalia como o trabalho se encaixa (ou não) na vida da pessoa fora dele.
Exemplos de riscos psicossociais na prática: mensagens fora do horário, home office sem limites claros e dificuldade para tirar férias.
Para entender o que a norma diz sobre carga horária, veja carga horária e saúde mental: o que a NR-01 exige.
Leia o guia completo sobre conflito trabalho-família e satisfação no trabalho.
Avalia a confiança e o senso de justiça dentro da empresa, que sustentam a segurança psicológica.
Exemplos de riscos psicossociais na prática: rádio peão mais rápido que a comunicação oficial, medo de errar, pessoas que não se manifestam em reuniões e baixa confiança nos canais de denúncia.
Leia o guia completo sobre confiança e justiça no trabalho.
Diferente dos outros domínios, este não mede fatores do trabalho, e sim os efeitos que eles já estão causando nas pessoas.
Na análise, esse domínio funciona como termômetro: quando burnout e estresse estão altos em uma área, o próximo passo é cruzar com os outros domínios para descobrir quais fatores do trabalho explicam o resultado. Saiba mais em burnout no trabalho e os custos para a empresa.
Leia o guia completo sobre saúde e bem-estar no COPSOQ II.
Avalia se a pessoa sofreu situações de violência ou assédio no trabalho nos últimos 12 meses.
Cada escala tem apenas um item, mas o peso é alto: aqui não existe percentual aceitável. Qualquer ocorrência relatada pede investigação e resposta da empresa, em linha com a Lei 14.457 e a prevenção ao assédio. Veja também assédio moral como risco psicossocial.
Leia o guia completo sobre comportamentos ofensivos no trabalho.
Um resultado ruim em uma escala raramente aparece sozinho. Alguns exemplos que se repetem nos diagnósticos:
Por isso, o plano de ação mais eficaz olha para o conjunto, e não para a pior escala isolada.
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Cada escala recebe uma pontuação de 0 a 100, e o resultado costuma ser classificado em três faixas: favorável, intermediária e de risco. Três cuidados evitam erros comuns na leitura:
1. Atenção ao sentido de cada escala. Em algumas escalas, pontuação alta é ruim (exigências quantitativas, burnout, conflito trabalho-família). Em outras, pontuação alta é boa (influência no trabalho, qualidade da liderança, apoio de colegas). Comparar números sem considerar isso leva a conclusões erradas.
2. Olhe por área, não só pela média geral. Uma média "ok" pode esconder um setor em zona de risco. A NR-01 pede a análise por Grupo Homogêneo de Exposição (GHE), justamente para encontrar onde o risco está concentrado.
3. Compare ciclos. O COPSOQ II ganha força quando é reaplicado. É a comparação entre um ciclo e outro que mostra se as ações do plano funcionaram.

O diagnóstico só cumpre a NR-01 quando vira gestão. O caminho, de forma resumida:
1. Registrar no inventário. Cada escala em faixa de atenção ou de risco vira um fator no inventário do PGR, com severidade, probabilidade e grupos expostos. Para começar, use o modelo de tabela de riscos psicossociais em Excel.
2. Priorizar. Comece pelas escalas em zona de risco nos grupos mais expostos e por qualquer relato de comportamento ofensivo.
3. Montar o plano de ação. Cada risco priorizado precisa de uma medida concreta, com responsável e prazo. Veja como estruturar em NR-01 e riscos psicossociais: como estruturar um plano de ação.
4. Reaplicar e acompanhar. A nova medição mostra se o risco caiu, se ficou igual ou se migrou para outra área.
Segundo o guia do Ministério do Trabalho e Emprego, são 13 fatores: assédio de qualquer natureza, má gestão de mudanças organizacionais, baixa clareza de papel, baixas recompensas e reconhecimento, falta de suporte, baixo controle ou falta de autonomia, baixa justiça organizacional, eventos violentos ou traumáticos, subcarga, sobrecarga, maus relacionamentos, trabalho em condições de difícil comunicação e trabalho remoto e isolado.
Hora extra frequente e metas inalcançáveis (sobrecarga), microgestão (falta de autonomia), mudanças anunciadas em cima da hora (má gestão de mudanças), funções sobrepostas (baixa clareza de papel), esforço que nunca é reconhecido, mensagens de trabalho fora do horário e situações de assédio moral ou sexual.
Não. A NR-01 não exige um questionário específico. Ela pede que os riscos psicossociais sejam identificados, avaliados e registrados no PGR com base técnica. O COPSOQ II é uma das metodologias mais usadas para isso por ter validação científica e medir fatores do próprio trabalho.
O COPSOQ II organiza os riscos em 7 domínios. O número de escalas depende da versão: a longa tem 41 escalas e 127 itens, a média tem 28 escalas e 87 itens e a curta tem 40 itens.
Relações interpessoais e liderança, com oito escalas: previsibilidade, recompensas e reconhecimento, clareza de papel, conflitos de papel, qualidade da liderança, apoio social de superiores, apoio social de colegas e senso de comunidade no trabalho.
No COPSOQ II, burnout aparece no domínio de saúde e bem-estar, que mede os efeitos do trabalho nas pessoas. Ele funciona como indicador: quando está alto, a empresa precisa cruzar o resultado com os outros domínios para encontrar os fatores de risco que estão levando ao adoecimento.
As pessoas não pesquisam "riscos psicossociais" em termos abstratos. Elas pesquisam o problema que estão vivendo: ritmo puxado, liderança ausente, falta de reconhecimento, mensagens no fim de semana. O COPSOQ II dá nome e medida a cada um desses problemas, e é isso que permite ao RH sair do "a equipe está cansada" para "a escala de ritmo de trabalho está em zona de risco no time comercial".
Use este guia como mapa e aprofunde em cada domínio pelos links acima.
A Moodar aplica o COPSOQ II, analisa os resultados por GHE e conecta cada risco ao plano de ação do PGR. Fale com nosso time.