COPSOQ II Domínio 7: assédio, bullying e violência no trabalho

Escrito por: Especialista em Segurança Psicológica Moodar
Orientado por: Bárbara Lippi

Assédio no trabalho é risco psicossocial? Sim, e é o primeiro item da lista do guia do Ministério do Trabalho e Emprego: assédio de qualquer natureza no trabalho. Na mesma lista aparecem os eventos violentos ou traumáticos.

No COPSOQ II, esses riscos são medidos no domínio Comportamentos ofensivos, que pergunta se a pessoa sofreu assédio sexual, ameaças de violência, violência física ou bullying no trabalho. É o domínio mais curto do questionário, com 4 perguntas, e também o que pede resposta mais rápida da empresa.

Neste conteúdo, você vai entender o que cada escala mede, como ler os resultados e o que fazer quando surgem relatos.

Comportamentos ofensivos, domínio 7 dos riscos psicossociais do COPSOQ II.
Comportamentos ofensivos, domínio 7 dos riscos psicossociais do COPSOQ II.

O que o domínio Comportamentos ofensivos avalia

Cada escala tem uma única pergunta, sobre a ocorrência da situação nos últimos 12 meses. Em muitas aplicações, o questionário também pergunta de quem partiu o comportamento: colegas, liderança, pessoas subordinadas ou clientes.

Assédio sexual

Atenção sexual indesejada no trabalho: comentários, convites insistentes, contato físico, mensagens ou qualquer conduta de natureza sexual sem consentimento.

Ameaças de violência

Ameaças verbais ou escritas de agressão, vindas de colegas, gestores ou do público atendido.

Violência física

Agressões físicas sofridas no ambiente de trabalho ou em função dele.

Bullying

Situações repetidas de humilhação, exclusão, ridicularização ou perseguição. No Brasil, o conceito se aproxima do assédio moral: condutas abusivas e repetitivas que atingem a dignidade da pessoa e degradam o ambiente de trabalho. Para entender o tema em detalhe, leia assédio moral no trabalho: o que é, como identificar e o que o RH deve fazer.

As 4 escalas de comportamentos ofensivos do COPSOQ II.
As 4 escalas de comportamentos ofensivos do COPSOQ II.

Por que aqui não existe percentual aceitável

Nos outros domínios, a análise compara médias e faixas. Neste, a lógica é diferente: qualquer relato já é um sinal de risco. Um único caso de assédio sexual ou de violência física em uma área basta para que o tema entre no plano de ação.

Também vale olhar de onde vêm os relatos. Assédio vindo da liderança pede uma resposta diferente de ameaças vindas de clientes, por exemplo. No segundo caso, o risco também aparece nas exigências emocionais da função.

Como ler os resultados com cuidado

  • Proteja o anonimato. Os resultados são sempre agregados. Nunca tente identificar quem respondeu, e evite mostrar resultados de grupos muito pequenos.
  • Relato no questionário não é denúncia formal. O questionário indica que o problema existe em uma área, mas a apuração de casos específicos acontece pelo canal de denúncia, com sigilo e proteção contra retaliação.
  • Poucos relatos não significam ausência do problema. Em ambientes com baixa confiança, as pessoas tendem a relatar menos.
Relatos de assédio e violência no trabalho na plataforma de Ouvidoria da Moodar.
Relatos de assédio e violência no trabalho na plataforma de Ouvidoria da Moodar.

O que a lei exige sobre assédio

Além da NR-01, a Lei 14.457/2022 determina que empresas com CIPA, que passou a se chamar Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio, adotem medidas de prevenção e combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho, como:

  • Regras de conduta sobre assédio, divulgadas a todas as pessoas
  • Procedimentos para receber e apurar denúncias, com sigilo
  • Ações de capacitação e sensibilização, no mínimo uma vez por ano

O resultado do COPSOQ II ajuda a mostrar se essas medidas estão funcionando. Veja como integrar os dois temas em NR-01 e Lei 14.457: como integrar o PGR e a prevenção ao assédio.

Como agir: medidas para o plano de ação

Quando há relatos

  • Comunicar a todos que o resultado foi visto e que a empresa vai agir, sem expor áreas ou pessoas
  • Reforçar o canal de denúncia e garantir que ele seja independente da liderança direta
  • Avaliar a área com mais profundidade, com apoio de profissionais especializados
  • Oferecer apoio psicológico para quem foi afetado

Para prevenção

  • Código de conduta com exemplos claros do que é assédio. Veja como criar um código de conduta para casos de assédio
  • Treinamento de lideranças para receber relatos e agir
  • Protocolos de segurança para funções expostas a clientes agressivos
  • Retorno sobre denúncias, respeitando o sigilo, para mostrar que o canal funciona

Registre cada medida no PGR com responsável e prazo, usando o modelo de tabela de riscos psicossociais em Excel.

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O que fazer quando a pesquisa mostra relatos de assédio no trabalho.
O que fazer quando a pesquisa mostra relatos de assédio no trabalho.
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Outros riscos psicossociais do COPSOQ II

Este conteúdo faz parte do guia Riscos psicossociais no trabalho: lista, exemplos e como o COPSOQ II avalia cada um. Veja os outros domínios:

Perguntas frequentes

Assédio é risco psicossocial?

Sim. Assédio de qualquer natureza no trabalho é o primeiro dos 13 fatores de risco psicossocial do guia do MTE. No COPSOQ II, ele é medido no domínio Comportamentos ofensivos.

Bullying e assédio moral são a mesma coisa?

São conceitos próximos. O COPSOQ II usa o termo bullying para situações repetidas de humilhação, exclusão ou perseguição. No Brasil, essas condutas no trabalho costumam ser tratadas como assédio moral.

O que fazer se o COPSOQ II mostrar relatos de assédio?

Tratar como prioridade no PGR, comunicar que a empresa vai agir sem expor ninguém, reforçar o canal de denúncia, aprofundar a avaliação da área e oferecer apoio a quem foi afetado. O anonimato das respostas precisa ser preservado.

Violência vinda de clientes conta como risco psicossocial?

Sim. Ameaças e agressões de clientes ou do público se encaixam em eventos violentos ou traumáticos, fator do guia do MTE, e precisam de medidas de controle como protocolos de segurança e apoio às equipes.

Conclusão

Comportamentos ofensivos são o risco psicossocial mais grave e o que menos admite espera. Medir esse domínio com anonimato dá à empresa uma visão que o canal de denúncia sozinho não dá, porque muita gente sofre e não denuncia. O que a empresa faz depois do resultado é o que mostra se ela leva o tema a sério.

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