
Ritmo de trabalho puxado é risco psicossocial? E atender clientes irritados o dia todo? E metas que só fecham com hora extra? Sim, os três. Eles fazem parte do primeiro domínio do COPSOQ II, Exigências no trabalho, que mede o quanto o trabalho pede das pessoas em volume, velocidade e carga emocional.
No guia do Ministério do Trabalho e Emprego, esse grupo aparece como excesso de demandas no trabalho (sobrecarga), um dos 13 fatores de risco psicossocial que precisam ser avaliados no PGR.
Neste conteúdo, você vai ver o que o domínio Exigências no trabalho avalia, exemplos de como esses riscos aparecem nas empresas e quais medidas entram no plano de ação.

Na versão média do COPSOQ II, o domínio tem 3 escalas e 11 perguntas. Aqui, pontuação alta indica risco: quanto maior o resultado, maior a exigência percebida pelas pessoas.
Mede se a quantidade de tarefas cabe no tempo disponível. As perguntas tratam de trabalho acumulado, falta de tempo para concluir as tarefas e necessidade de fazer hora extra.
Exemplos na prática: equipe que não foi reposta depois de desligamentos, backlog que só cresce, pessoas que almoçam na frente do computador para dar conta.
Esse é o fator mais frequente nos PGRs. Para se aprofundar, leia sobrecarga de trabalho: o risco psicossocial mais comum nas empresas.
Mede a intensidade: a necessidade de trabalhar muito rápido, sem parar e sem margem para pausa. Uma pessoa pode ter um volume razoável de tarefas e, ainda assim, estar em risco se o ritmo é ditado por sistema, fila ou cliente.
Exemplos na prática: call centers com tempo médio de atendimento controlado, operações logísticas com metas por hora, times de produto com entregas semanais sem intervalo entre ciclos.
Mede o quanto o trabalho coloca a pessoa diante de situações emocionalmente difíceis: sofrimento, conflito, agressividade ou decisões que afetam a vida de outras pessoas.
Exemplos na prática: SAC e atendimento ao cliente, equipes de saúde, cobrança, RH em processos de desligamento, lideranças que dão feedbacks difíceis com frequência.
Em várias funções, esse tipo de exigência faz parte do trabalho e não pode ser eliminado. O que a empresa controla é o suporte: pausas, rodízio, treinamento e espaço para conversar sobre os casos difíceis.
Antes mesmo do diagnóstico, alguns dados que o RH já tem dão pistas de que este domínio vai aparecer em zona de risco:
Esses dados ajudam a cruzar o resultado do questionário com a realidade da operação, mas não substituem a avaliação. A NR-01 pede que a percepção das pessoas seja medida com método.
O modelo demanda-controle, do pesquisador Robert Karasek, mostra que o risco de adoecimento cresce quando exigência alta se combina com pouco controle sobre o próprio trabalho. É a situação de quem tem muito para fazer e nenhuma liberdade para decidir como fazer.
Por isso, ao ler este domínio, olhe junto a escala de Influência no trabalho, do domínio de organização do trabalho e autonomia, e as escalas de apoio, em relações interpessoais e liderança. Uma área com exigência alta e bom apoio da liderança está em situação bem diferente de outra com exigência alta e liderança ausente.

Cada medida precisa ter responsável e prazo no PGR. Se você ainda está montando o inventário, use o modelo de tabela de riscos psicossociais em Excel.

Este conteúdo faz parte do guia Riscos psicossociais no trabalho: lista, exemplos e como o COPSOQ II avalia cada um. Veja os outros domínios:
Sim. O ritmo de trabalho é uma das escalas do domínio Exigências no trabalho do COPSOQ II e se relaciona ao fator excesso de demandas do guia do MTE. Quando a velocidade exigida não permite pausas nem trabalho com qualidade, o risco precisa entrar no PGR.
Exigências quantitativas medem o volume de tarefas em relação ao tempo disponível. Ritmo de trabalho mede a velocidade e a intensidade com que essas tarefas precisam ser feitas. Uma área pode ter volume adequado e ritmo excessivo, ou o contrário.
Em muitas funções, não. Atendimento, saúde e cobrança lidam com situações difíceis por natureza. O controle está no suporte: pausas, rodízio, treinamento e espaços de escuta.
É o excesso de demandas no trabalho, um dos 13 fatores de risco psicossocial do guia do MTE. Acontece quando as demandas superam de forma recorrente a capacidade disponível, em volume, complexidade ou urgência.
Volume, velocidade e carga emocional são as três formas mais visíveis de pressão no trabalho, e as que mais aparecem nos diagnósticos. Medir cada uma separadamente mostra onde agir: às vezes o problema é o tamanho da equipe, às vezes é o indicador de tempo, às vezes é a falta de apoio em uma função que já é pesada por natureza.
A Moodar aplica o COPSOQ II, mostra as exigências no trabalho por área e conecta cada resultado ao plano de ação do PGR. Fale com nosso time.