
Falta de reconhecimento no trabalho é risco psicossocial? E liderança que não dá apoio? E não saber direito qual é a própria função? Os três estão na lista de fatores de risco psicossocial do Ministério do Trabalho e Emprego e entram no PGR.
No COPSOQ II, eles fazem parte do domínio Relações interpessoais e liderança, o maior do questionário, com 8 escalas. Em muitos diagnósticos, é também o domínio que concentra a maior parte do plano de ação, porque boa parte dos riscos psicossociais passa pela forma como as pessoas são lideradas e se relacionam.
Neste conteúdo, você vai ver o que cada escala avalia, exemplos de como os riscos aparecem no dia a dia e o que fazer com o resultado.

Das 13 categorias de fatores de risco psicossocial do guia do MTE, sete têm ligação direta com este domínio:
Na leitura dos resultados, atenção: em quase todas as escalas deste domínio, pontuação baixa indica risco. A exceção é Conflitos de papel, em que pontuação alta é o sinal de alerta.
Mede se as pessoas recebem com antecedência as informações sobre decisões, mudanças e planos que afetam o trabalho delas.
Exemplos de risco na prática: reestruturações anunciadas por e-mail na sexta-feira, mudança de sistema sem treinamento, boatos de demissão que ninguém confirma nem desmente.
Mede se cada pessoa sabe quais são suas responsabilidades, o que se espera dela e até onde vai sua autoridade.
Exemplos de risco na prática: funções sobrepostas, cargos sem descrição atualizada, pessoas que recebem demandas de vários gestores sem saber qual priorizar.
Mede se o trabalho envolve demandas contraditórias, tarefas desnecessárias ou situações que vão contra os valores da pessoa.
Exemplos de risco na prática: pedir qualidade e velocidade máxima ao mesmo tempo, metas de venda que forçam o vendedor a empurrar produtos que o cliente não precisa, regras de áreas diferentes que se contradizem.

Mede se o trabalho é reconhecido e valorizado pela gestão, se a pessoa é tratada com respeito e se o esforço tem retorno justo.
Exemplos de risco na prática: entregas importantes que passam sem comentário, crédito dado a outra pessoa, feedback que só aparece quando algo dá errado.
Reconhecimento não depende só de salário ou bônus. O modelo esforço-recompensa, do pesquisador Johannes Siegrist, mostra que a sensação de dar muito e receber pouco em troca, inclusive em respeito e valorização, está ligada a estresse e adoecimento. Veja como estruturar retornos em o segredo para feedbacks construtivos.
Mede se a liderança planeja bem o trabalho, resolve conflitos, oferece oportunidades de desenvolvimento e prioriza o bem-estar do time.
Mede se a pessoa pode contar com a liderança quando surgem dificuldades: se é ouvida, ajudada e recebe orientação.
Mede se os colegas se ajudam e se a pessoa consegue pedir apoio sem receio.
Mede o clima entre as pessoas: se há colaboração, boa convivência e sensação de pertencimento ao grupo.
Exemplos de risco na prática: gestor que só aparece para cobrar, lideranças promovidas pela técnica e sem preparo para gerir pessoas, times em competição interna, pessoas em trabalho remoto que passam dias sem falar com ninguém do time.
Essas escalas têm um efeito que vai além delas mesmas: o apoio da liderança e dos colegas reduz o peso de outros riscos, como as exigências no trabalho. A mesma sobrecarga pesa bem menos em um time onde as pessoas se ajudam.
"Liderança tóxica" não é um termo técnico da NR-01, mas os comportamentos que costumam estar por trás dele são: falta de apoio, falta de reconhecimento, comunicação ruim, injustiça na distribuição do trabalho e, nos casos mais graves, assédio. No COPSOQ II, esse padrão aparece em resultados baixos em várias escalas deste domínio ao mesmo tempo, somados a resultados ruins em confiança vertical e justiça.
Quando há relatos de humilhação ou perseguição, o tema passa para o domínio de comportamentos ofensivos e pede investigação.
Cada medida precisa de responsável e prazo no PGR. Para organizar, use o modelo de tabela de riscos psicossociais em Excel.

Este conteúdo faz parte do guia Riscos psicossociais no trabalho: lista, exemplos e como o COPSOQ II avalia cada um. Veja os outros domínios:
Sim. O guia do MTE lista baixas recompensas e reconhecimento entre os 13 fatores de risco psicossocial. No COPSOQ II, ele é medido pela escala de Recompensas e reconhecimento, no domínio de relações interpessoais e liderança.
É quando a pessoa não sabe com segurança quais são suas responsabilidades, o que se espera dela ou até onde vai sua autoridade. É um fator de risco do guia do MTE e aparece com frequência em empresas que passaram por reestruturações.
Sim. Mudanças anunciadas sem antecedência, sem explicação ou sem preparação estão entre os 13 fatores do guia do MTE. No COPSOQ II, esse risco aparece na escala de Previsibilidade.
O termo não aparece na NR-01, mas os comportamentos por trás dele entram: falta de apoio, falta de reconhecimento, comunicação ruim, injustiça e assédio são fatores de risco psicossocial que precisam ser avaliados e controlados.
Relações e liderança são o ponto onde a maior parte dos riscos psicossociais nasce ou é amortecida. Uma liderança que comunica bem, reconhece e apoia reduz o peso de quase todos os outros fatores. Por isso, medir as 8 escalas deste domínio por área mostra ao RH onde investir primeiro em desenvolvimento de lideranças.
A Moodar aplica o COPSOQ II, mostra o resultado de cada liderança e área e conecta o diagnóstico ao plano de ação do PGR. Fale com nosso time.