Como trabalhar Agosto Lilás na sua empresa

Escrito por: Especialista em Segurança Psicológica Moodar
Orientado por: Bárbara Lippi

Agosto Lilás representa uma oportunidade crucial para as empresas reforçarem seu compromisso com a igualdade de gênero e a segurança das mulheres no ambiente de trabalho. Abraçar essa campanha vai além de simples gestos simbólicos; é sobre criar um espaço de trabalho onde todos se sintam protegidos e valorizados. Neste texto, vamos explorar estratégias práticas e eficazes para integrar a conscientização do Agosto Lilás na sua empresa, promovendo um ambiente de trabalho mais inclusivo e seguro.

O que é Agosto Lilás?

O Agosto Lilás é uma campanha nacional que ocorre durante o mês de agosto, focada na conscientização e combate à violência contra a mulher, instituída para reforçar a importância da Lei Maria da Penha, a campanha promove ações educativas, debates e atividades que visam informar a população sobre os direitos das mulheres e as formas de prevenir a violência doméstica.

Para as empresas, é uma oportunidade de fomentar um ambiente de trabalho mais seguro, inclusivo e consciente sobre questões de gênero. Abaixo, exploramos algumas estratégias eficazes para trabalhar o Agosto Lilás na sua empresa.

Agosto lilás: mulher sentada no chão de cabeça baixa

O que mudou: assédio moral como risco psicossocial obrigatório no PGR

O Agosto Lilás de 2026 acontece num contexto regulatório diferente dos anos anteriores. Desde maio de 2026, a Portaria MTE 1.419/2024, que atualiza a NR-01, tornou obrigatório que as empresas identifiquem, avaliem e controlem os riscos psicossociais no ambiente de trabalho como parte do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Assédio moral, assédio sexual e violência de gênero no ambiente de trabalho estão diretamente entre os fatores psicossociais que a norma exige mapear. Isso significa que as ações do Agosto Lilás, quando bem estruturadas, deixam de ser apenas campanhas de conscientização e passam a ser parte da estratégia de conformidade da empresa.

Para o RH, isso representa uma mudança de enquadramento importante: o tema não mora mais apenas na área de diversidade e inclusão. Ele integra o PGR, é documentável e pode ser exigido em uma fiscalização do MTE.

O que a NR-01 exige especificamente em relação ao assédio:

  • Identificação do risco: o mapeamento psicossocial deve incluir fatores como relações interpessoais desgastantes, comportamentos hostis e ausência de canais de denúncia seguros
  • Medidas de controle: o plano de ação do PGR deve prever ações concretas de prevenção, como treinamento de lideranças, canal de ouvidoria e protocolos de investigação
  • Documentação: todas as iniciativas realizadas durante o Agosto Lilás — palestras, treinamentos, rodas de conversa — precisam ser registradas como evidências no sistema de gestão de evidências da empresa

Empresas que aproveitam o mês de agosto para iniciar ou reforçar o mapeamento psicossocial saem do Agosto Lilás com dois resultados: um programa de conscientização e documentação para o PGR.

5 ideias para trabalhar o Agosto Lilás na sua empresa

1. Sensibilização e educação

Palestras e workshops

Organize palestras e workshops com especialistas em violência contra a mulher, direitos humanos e igualdade de gênero. Esses eventos podem esclarecer os colaboradores sobre a Lei Maria da Penha, os diferentes tipos de violência doméstica e os recursos disponíveis para as vítimas. Promover um espaço de discussão e aprendizado é fundamental para aumentar a conscientização e mudar atitudes.

Campanhas de comunicação interna

Utilize os canais de comunicação interna, como e-mails, murais informativos e intranet, para disseminar informações sobre o Agosto Lilás. Compartilhe estatísticas, histórias de superação e informações sobre como identificar e agir diante de casos de violência. Campanhas visuais, como cartazes e banners, também podem ser eficazes para manter o tema em destaque durante todo o mês.

2. Apoio e recursos

Criação de políticas internas

Desenvolva ou revise políticas internas para assegurar que sua empresa tenha procedimentos claros para lidar com casos de violência doméstica. Isso pode incluir diretrizes sobre como os colaboradores podem buscar ajuda, o que fazer se testemunharem um incidente e quais recursos estão disponíveis para as vítimas.

Parcerias com organizações

Estabeleça parcerias com organizações não-governamentais (ONGs) e instituições que atuam no combate à violência contra a mulher. Essas parcerias podem facilitar o acesso a especialistas para palestras, fornecer materiais educativos e apoiar campanhas de arrecadação de recursos para vítimas de violência.

3. Engajamento dos colaboradores

Grupos de apoio e discussão

Forme grupos de apoio e discussão onde os colaboradores possam compartilhar experiências e discutir formas de promover a igualdade de gênero no local de trabalho. Esses grupos podem servir como um espaço seguro para discutir questões sensíveis e propor iniciativas para um ambiente de trabalho mais inclusivo.

A Moodar oferece uma plataforma completa com treinamentos e programas voltados para a promoção da igualdade de gênero e respeito à diversidade. 

Ações disponíveis na plataforma Moodar.
Essas e outras ações estão disponíveis na plataforma Moodar.

Atividades de voluntariado

Incentive os colaboradores a se envolverem em atividades de voluntariado que apoiem mulheres em situação de violência. Isso pode incluir trabalho voluntário em abrigos, participação em campanhas de arrecadação de fundos ou organização de eventos comunitários. Essas atividades não só ajudam as vítimas, mas também promovem um senso de comunidade e responsabilidade social entre os colaboradores.

4. Treinamentos e desenvolvimento

Treinamentos de sensibilização

Ofereça treinamentos de sensibilização para todos os níveis da organização, com foco em reconhecer sinais de violência doméstica, compreender a Lei Maria da Penha e aprender como apoiar colegas em situação de risco. Treinamentos regulares ajudam a criar um ambiente de trabalho informado e empático.

Desenvolvimento de lideranças

Capacite líderes e gestores para que possam identificar e lidar adequadamente com casos de violência doméstica entre seus subordinados. Líderes treinados podem desempenhar um papel crucial na criação de um ambiente de trabalho seguro e no suporte às vítimas.

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5. Ações de conscientização

Iluminação e decoração temática

Decore o ambiente de trabalho com a cor lilás, que simboliza a campanha. Iluminar a fachada da empresa ou áreas comuns com luzes lilás pode chamar a atenção para a causa e demonstrar o apoio da empresa à campanha.

Eventos de conscientização

Organize eventos, como caminhadas, rodas de conversa e exibições de filmes, para promover a conscientização sobre a violência contra a mulher. Esses eventos podem envolver não apenas os colaboradores, mas também suas famílias e a comunidade local. Na plataforma da Moodar, além de diversas ações inclusivas, as empresas parceiras também têm acesso a uma ação sobre Agosto Lilás, focada no diálogo e na conscientização sobre a violência contra a mulher! 

Ação sobre Agosto Lilás na plataforma da Moodar.
Essas e outras ações estão disponíveis na plataforma Moodar.

Trabalhar o Agosto Lilás na sua empresa é uma forma poderosa de promover a conscientização sobre a violência contra a mulher e apoiar as vítimas. Ao adotar essas estratégias, sua empresa pode contribuir para a criação de um ambiente de trabalho mais seguro, inclusivo e empático. Além de cumprir uma responsabilidade social, essas ações fortalecem a cultura organizacional e demonstram o compromisso da empresa com a igualdade e os direitos humanos.

Agosto Lilás e violência doméstica: o papel da empresa além do trabalho

A violência doméstica afeta diretamente o ambiente de trabalho. Colaboradoras em situação de violência apresentam índices maiores de absenteísmo, queda de produtividade e dificuldade de concentração, impactos que aparecem nos indicadores de RH antes mesmo de qualquer relato formal.

O papel da empresa não é substituir o sistema de proteção social, mas criar condições para que a colaboradora em situação de vulnerabilidade tenha acesso a apoio sem medo de exposição ou de represália profissional.

Algumas práticas que fazem diferença real:

  • Canal de escuta confidencial: a colaboradora precisa saber que existe um espaço seguro para relatar sem que isso afete sua relação com a liderança direta
  • Flexibilidade em situações de crise: ausências para buscar medidas protetivas ou registrar boletim de ocorrência não deveriam ser tratadas como faltas comuns
  • Liderança treinada para acolher: o primeiro ponto de contato geralmente é o gestor direto. Sem preparo, a reação inadequada pode agravar a situação

Para entender como estruturar o suporte à colaboradora em situação de violência doméstica dentro da empresa, veja o artigo: O que fazer quando uma colaboradora enfrenta violência doméstica.

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