O Novo RH: o que é importante saber sobre as mudanças na profissão

Escrito por: Equipe de Pesquisa e Desenvolvimento Moodar

O que devemos ter em mente para direcionar a inovação no RH das empresas

Que o mundo do trabalho está em uma profunda transformação, todos nós já sabemos. Contudo, o que pode nos diferenciar é que existem aqueles que possuem segurança em como vão atravessar essa onda de transformações e outros ainda estão perdidos. Não que exista um mal nisso, faz parte da própria dinâmica de aprendizado, mas às vezes esse não saber o que fazer nos gera ansiedades e frustrações que são poucas as pessoas que conseguem gerenciar. O novo realmente nos assola porque dar de cara com o novo significa dar de cara com o incerto, com o erro, com a mudança que, na sua grande maioria das vezes, nos tira do nosso lindo e belo conforto.

Dentro dessas transformações, é nítido, que o RH também é transformado. Pensar no futuro do trabalho é uma tarefa de todos nós envolvidos com essa dinâmica social, mas o RH com certeza tem o potencial de agir como o principal grupo a direcionar transformações necessárias que a humanidade precisa. Essa responsabilidade já vem sendo atribuída a nós profissionais da área, contudo, existe um lado complicador nisso: as demandas do RH se tornam cada vez maiores e não necessariamente é a área que deveria tomar a frente delas. 

De acordo com alguns relatórios divulgados pela Gartner e McKinsey, por exemplo, 55% dos líderes de RH afirmam receber mais solicitações de ajuda em uma variedade mais ampla de tópicos. Essas demandas são as das mais diversas, o que só mostra que os executivos do mundo estão notando a importância da área para as suas organizações. 

Por exemplo: 63% dos líderes de RH afirmam que estão vendo uma demanda crescente por apoio à gestão de mudanças, e 61% afirmam que sua função está recebendo mais pedidos de apoio à eficácia de líderes, gerentes e equipes. Isso está dando às funções de RH a chance de exercer influência em áreas onde o RH vem dizendo à organização há anos que poderia ter um impacto.

Por outro lado, como já dito aqui, nem tudo cabe ao RH, apesar de solicitado. Vejamos, 61% dos líderes de RH dizem que estão mais preocupados com o esgotamento dos funcionários de RH, e 50% dizem que recursos financeiros limitados representam mais um desafio.

Dado esse contexto, não é surpreendente que 75% dos líderes de RH relatem que reestruturaram a função nos últimos dois anos ou que estão fazendo isso atualmente.

Mas então, o que o RH deve pensar e fazer diante desse novo?

pessoas seguindo uma outra que está bem à frente com destino algum lugar

Reorganização estrutural e o papel da liderança

Primeiro, é preciso saber interpretar dois fatores importantes: o que é trabalho e como ele é modificado pela tecnologia. O trabalho, como entendido por nós aqui na Moodar, é uma condição fundamental à vida humana, ele nos atravessa enquanto seres e, em certo nível, dita a nossa formação. Quando o temos em nossas vidas, podemos ser felizes e realizados, mas ele também pode nos levar a grande sofrimento. Já quando não o temos, logo logo poderá vir aquela sensação de invalidez e inutilidade. O trabalho é um dos atravessamentos da vida humana que move ações, sentimentos e afetos. Ricardo Antunes, um dos maiores sociólogos sobre trabalho no mundo, já diz:

“Mas foi possível, em algum momento da história humana (desde o primeiro homem e da primeira mulher se diferenciando do primata), existir algum tipo de sociedade sem trabalho, sem atividade vital?”

É nítido, por sua vez, entender que esse trabalho se revela de maneiras distintas. Por exemplo, dados mostrados pela Revista Vox e citados por Silvio Meira em seu excelente texto, nos EUA, hotéis e esportes estão a mais de 99% da lotação de 2019, antes da pandemia, e escritórios, em 49%, estimulando um movimento mais comum chamado nomadismo digital, no qual pessoas se deslocam com uma mala e um computador nas costas vivendo o mundo e trabalhando de qualquer lugar. 

No gráfico é possível visualizar que a maioria das pessoas que têm a possibilidade de trabalhar remotamente, estão escolhendo este modelo de trabalho.

Apesar do grande debate sobre a necessidade ou não da volta das pessoas aos escritórios, realidades 100% presenciais agora se tornaram uma especificidade de algumas ocupações. A dúvida dentro disso é: como estimular conexões humanas e afetivas criando relacionamentos interpessoais através do trabalho em contextos híbridos e remotos? 

Questões como essas fortalecem a nossa perspectiva de que o RH não deve ser o operacionalizador de todas as transformações. Para lidar com grupos tão dispersos, a inovação no RH passa por saber capilarizar aquilo que lhe atribuem e distribuir responsabilidades.

Um RH que consegue inovar, sabe direcionar as lideranças da empresa para serem aliadas dos seus desafios vivenciados. Construir uma experiência significativa de trabalho, fortalecer cultura e propósito da empresa, facilitar a construção de networking entre time híbridos, são objetivos que perduram ano após ano, mudando sua intensidade e realidade, mas que só são alcançados e seus resultados mantidos se lideranças engajarem nos desafios. Não à toa, de acordo com a Gartner, para 60% dos CHROs do mundo, o processo de desenvolvimento de lideranças é uma prioridade para a empresa.

Unido a isso, é necessário pensar como a estrutura organizacional da empresa permitirá que as lideranças consigam desempenhar esse papel e o RH seja um facilitador e catalisador das ações necessárias e não o operacional. Isso passa por:

  1. Treinamento: Estabeleça programas de treinamento para líderes, para que possam receber orientação de líderes mais experientes.
  2. Tecnologia e Ferramentas Colaborativas: Forneça tecnologia e ferramentas que facilitem a colaboração e a comunicação em equipes híbridas, permitindo que os líderes fortaleçam o relacionamento com suas equipes, independentemente da localização.
  3. Flexibilidade de Trabalho: Ofereça opções flexíveis de trabalho, como trabalho remoto, para permitir que líderes e equipes se adaptem às suas necessidades individuais.
  4. Reconhecimento e Recompensas: Implemente programas de reconhecimento e recompensas que valorizem o fortalecimento da cultura e o desenvolvimento de vínculos afetivos.
  5. Participação dos Colaboradores: Incentive a participação dos funcionários na tomada de decisões e na definição da cultura organizacional, para que eles se sintam mais conectados e engajados.

Sem mudanças estruturais, não há estímulo para que a inovação no RH aconteça de forma estratégica.

Tecnologia e RH

Além dos pontos citados acima, também é nítido que existe uma necessidade de transformação digital na própria área. A dúvida que paira sobre nós, profissionais de RH, muitas vezes é sobre qual (ou quais) tecnologias devemos levar para a empresa. Olhando, por exemplo, o Hype Cycle de tecnologias em RH, temos:

No gráfico é possível enxergar a maturidade das tecnologias usadas pelos RHs.

Antes, uma explicação: o Hype Cycle é uma metodologia desenvolvida pela empresa de pesquisa Gartner para representar a maturidade, adoção e aplicação de tecnologias emergentes e tendências no mercado. O ciclo de Hype descreve a jornada típica de uma nova tecnologia ou tendência, desde o momento em que é introduzida até o seu impacto maduro no mercado.

Toda tecnologia - toda - vai passar por um pico de expectativas até um vale de desilusão em relação a ela, é o movimento natural de qualquer novidade que ainda não sabemos muito bem utilizar ou para que ela serve.

Esse caminho trilhado, como se pode perceber na imagem acima, também vai acontecer em uma certa perspectiva de tempo, sendo ele diferente para cada tecnologia. Soluções como a Moodar, alcançam alguns campos apresentados nessa imagem: Talent Analytics, Employee Well-Being Solutions e, no futuro não tão distante, Generative AI in RH.

Para alcançar a última fase de entendimento do seu uso mais efetivo, o Plateau of Productivity, o momento no qual a tecnologia atinge um nível de maturidade em que suas aplicações práticas e benefícios são amplamente compreendidos e aceitos, tornando-se uma parte comum do ambiente de negócios e é usada de forma eficaz para impulsionar resultados mensuráveis, os tempos estimados variam de menos de dois a cinco anos. Ou seja, são indicativos de que seu uso ainda vai dar muito o que falar e também trazer muitos benefícios à área de RH.

O uso de tecnologias dentro dos campos citados, principais apostas da Moodar, nos ajudam no desenvolvimento, direcionamento e acompanhamento de métricas relativas aos primeiros pontos, visto que uma mudança estrutural não acontece sem o aval das pessoas que participam dela.

Dessa maneira, a satisfação de pessoas colaboradoras e a análise de dados em relação a elas são cruciais para o entendimento de como mudanças estão sendo vistas e aceitas na organização. Já a IA generativa possui a capacidade de potencializar planos de ações necessárias à realidade da área.

Capa de livro para fazer download com mulher negra de oculos

O que, Como e Quem

Por fim, nesse novo RH, profissionais precisam repensar no que se concentrar, como trabalhar com e por meio de outros, e quem precisa ter na função em termos de expertise e conhecimento.

Talvez não esteja tão nítido, mas a grande questão aqui é a seguinte: o que o RH pode fazer para, além de ser um operacionalizador de questões na empresa, ele consiga capilarizar e facilitar ações organizacionais? É isso o que a imagem acima tenta nos responder a partir das seguintes diretrizes:

  • Priorização Participativa: Para superar os conflitos que surgem de demandas concorrentes de diversas partes interessadas, o RH precisa coordenar tanto internamente quanto com seus parceiros fora da função na definição de prioridades.

  • Digitalização que Facilita os Negócios: À medida que a tecnologia se torna cada vez mais essencial para a entrega do RH, as funções de RH devem trabalhar com os usuários finais para garantir que suas iniciativas de digitalização estejam impulsionando os objetivos de negócios, não apenas otimizando processos de RH.

  • Ampliação de Expertise: Como grande parte da expertise relevante para a agenda do RH está fora da função, os líderes de RH devem encontrar maneiras de ampliar a expertise. Isso pode ser feito trazendo pessoas e ideias externas e trabalhando com a organização mais ampla para experimentar em questões novas.

A Moodar oferece mensalmente a todas as empresas parceiras a possibilidade de participação no Moodar Academy, treinamentos onde os RHs recebem capacitação nos mais diversos temas. Nossa equipe de Pesquisa e Desenvolvimento encontra o que há de mais novo no mercado e oferece esse conhecimento de maneira robusta e didática para os profissionais.

Conheça mais sobre a Moodar em www.moodar.com.br 

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