NR-01 e Saúde Mental: 5 obrigações do RH para 2026 | Moodar

Escrito por: Especialista em Segurança Psicológica Moodar
Orientado por: Bárbara Lippi

A saúde mental dos trabalhadores se tornou uma preocupação crescente nas empresas devido ao impacto direto na produtividade, no engajamento e no bem-estar organizacional. Com a atualização da NR-1, a gestão dos riscos psicossociais passou a ser uma obrigação formal para as empresas, exigindo que medidas preventivas sejam implementadas para mitigar problemas como estresse excessivo, sobrecarga de trabalho e assédio moral.

A NR-1 é uma das principais normas que regem a segurança e saúde no trabalho no Brasil, e sua atualização reforça a necessidade de uma abordagem mais ampla para a proteção dos trabalhadores. Agora, além dos riscos físicos, químicos e biológicos, as empresas devem gerenciar os riscos psicossociais, garantindo um ambiente mais seguro e saudável. Neste texto, exploramos as principais mudanças da norma, os desafios da saúde mental no trabalho e as melhores práticas para adequação às exigências legais.

O que é a NR-1 e como ela impacta a gestão da saúde mental?

A NR-1 estabelece diretrizes gerais para a gestão da segurança e saúde no trabalho, sendo aplicável a todas as empresas, independentemente do porte ou setor. Sua atualização mais recente determinou que a gestão dos riscos psicossociais deve ser incorporada ao Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR, tornando-se uma responsabilidade formal das organizações.

A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 significa que as empresas precisam mapear e mitigar fatores como carga excessiva de trabalho, pressão psicológica, falta de suporte organizacional e relações interpessoais problemáticas. O descumprimento dessas diretrizes pode resultar em multas, ações trabalhistas e até interdição de atividades, tornando essencial que as empresas adotem medidas concretas para garantir a conformidade com a norma.

Além do impacto regulatório, o gerenciamento da saúde mental dos colaboradores traz benefícios estratégicos para as empresas. Um ambiente psicologicamente seguro reduz o absenteísmo, melhora a produtividade e fortalece a retenção de talentos, criando um ciclo positivo de engajamento e bem-estar organizacional.

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5 obrigações do RH para a gestão de riscos psicossociais

A NR-1 determina que as empresas adotem um modelo estruturado para a identificação e controle dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Entre as principais diretrizes estabelecidas pela norma, destacam-se:

1. Mapeamento e análise dos riscos psicossociais

As empresas devem realizar uma análise detalhada dos fatores que podem impactar a saúde mental dos colaboradores. Isso inclui a identificação de elementos como sobrecarga de trabalho, pressão por metas inatingíveis, falta de autonomia, relações interpessoais desgastantes e exposição a assédio ou discriminação. Esse mapeamento deve ser conduzido de forma contínua e considerar as especificidades de cada ambiente de trabalho.

2. Implementação de medidas preventivas e corretivas

Com base na análise dos riscos, as empresas devem desenvolver e implementar estratégias para mitigar os impactos dos fatores psicossociais. Isso pode incluir treinamentos de segurança psicológica, criação de canais de suporte emocional, políticas de prevenção ao assédio moral e capacitação das lideranças para atuar na promoção de um ambiente mais saudável.

3. Monitoramento contínuo, indicadores e revisão do PGR

A gestão dos riscos psicossociais não pode ser tratada como uma ação pontual. A NR-01 exige que as medidas implementadas sejam avaliadas quanto à sua eficácia e que o PGR seja revisado periodicamente, com a periodicidade definida no próprio programa e documentada.

Na prática, isso significa que a empresa precisa de indicadores capazes de detectar deterioração do ambiente psicossocial antes que ela se manifeste em afastamentos ou conflitos graves. Alguns dos indicadores que devem ser monitorados com regularidade:

  • Taxa de absenteísmo e afastamentos por CID relacionados a transtornos mentais (F-codes e Z73)
  • Turnover voluntário por área ou liderança
  • Resultados do mapeamento psicossocial aplicado periodicamente
  • Registros de uso de canais de escuta e ouvidoria
  • Indicadores de clima organizacional por equipe

Com base nesses dados, o RH deve revisar o inventário de riscos e atualizar o plano de ação sempre que houver mudanças relevantes no ambiente de trabalho, como reestruturações, alterações de jornada ou crescimento acelerado de equipes.

Empresas que adotam plataformas de gestão contínua conseguem integrar esses indicadores em painéis de visualização, o que facilita tanto a tomada de decisão interna quanto a apresentação de evidências em uma fiscalização do MTE.

4. Capacitação de lideranças para gestão de riscos psicossociais

A NR-01 não responsabiliza apenas o RH pelo gerenciamento dos riscos psicossociais. A norma pressupõe que gestores e líderes sejam agentes ativos na identificação e mitigação desses riscos dentro de suas equipes, o que torna a capacitação de lideranças uma obrigação prática, ainda que não esteja explicitamente enumerada como tal no texto normativo. Na prática, líderes sem preparo para reconhecer sinais de sobrecarga, conflitos interpessoais ou deterioração do clima da equipe tornam o mapeamento ineficaz: os dados coletados no PGR não refletem a realidade vivida no dia a dia. Treinamentos em segurança psicológica, comunicação não violenta e gestão de conflitos são, portanto, parte estrutural do programa de conformidade, não ações complementares.

A documentação desses treinamentos, incluindo carga horária, conteúdo programático e lista de participantes, também compõe o conjunto de evidências exigíveis em uma fiscalização do MTE.

5. Documentar evidências para fiscalização e eSocial

O cumprimento das obrigações da NR-01 só tem valor legal se puder ser comprovado. A fiscalização do MTE não aceita declarações informais: o auditor fiscal solicita documentos que demonstrem que a empresa identificou os riscos psicossociais, implementou medidas e acompanhou os resultados ao longo do tempo.

Entre os documentos que devem estar organizados e acessíveis estão:

  • PGR atualizado com o inventário de riscos psicossociais por GHE (Grupos Homogêneos de Exposição)
  • Metodologia utilizada no mapeamento (COPSOQ II, JSS ou outra validada cientificamente), com justificativa de escolha
  • Plano de ação com medidas preventivas e corretivas, responsáveis e prazos
  • Registros de treinamentos realizados com lideranças e equipes
  • Relatórios de monitoramento com indicadores acompanhados ao longo do tempo
  • Registro no eSocial S-2240, quando o agente de risco psicossocial for identificado como presente no ambiente de trabalho

A ausência de qualquer desses documentos pode configurar irregularidade mesmo que a empresa tenha realizado as ações na prática. A gestão de evidências é, portanto, uma etapa tão importante quanto o mapeamento em si.

O impacto da saúde mental no ambiente corporativo

A negligência em relação à saúde mental dos trabalhadores pode gerar consequências graves para as empresas, afetando tanto o bem-estar dos colaboradores quanto os resultados organizacionais. De acordo com um estudo da Deloitte, empresas que não gerenciam os riscos psicossociais enfrentam desafios como aumento no número de afastamentos, alta rotatividade de funcionários, queda na produtividade e maior exposição a processos trabalhistas.

O Brasil já é o segundo país com mais casos de burnout no mundo, e os transtornos psicológicos são uma das principais causas de afastamento do trabalho. A sobrecarga emocional no ambiente corporativo não apenas compromete o desempenho individual, mas também afeta a dinâmica das equipes e a cultura organizacional. Empresas que não investem em saúde mental acabam enfrentando altos custos indiretos, como a perda de talentos qualificados e a redução da motivação dos funcionários.

Além disso, a saúde mental tem se tornado um critério cada vez mais relevante para os profissionais ao escolherem onde trabalhar. Organizações que priorizam o bem-estar dos colaboradores não apenas cumprem com a legislação, mas também fortalecem sua marca empregadora, atraindo e retendo os melhores talentos do mercado.

Como a Moodar pode ajudar sua empresa a ficar em conformidade com a NR-1?

Se a sua empresa já iniciou o processo de adequação, mas ainda tem dúvidas sobre a metodologia utilizada ou sobre como estruturar o PGR de forma auditável, aprofundamos esse tema neste vídeo:

Ele complementa este conteúdo com exemplos práticos sobre validação metodológica, integração com o PGR e documentação exigida em fiscalizações.

A Moodar é sua parceira na adequação à NR-1, oferecendo um programa completo para ajudar as empresas a cumprirem as exigências da norma e promoverem um ambiente de trabalho mais saudável.

Entre os serviços oferecidos pela Moodar estão:

  • Mapeamento de riscos psicossociais – Diagnóstico detalhado para identificar desafios e oportunidades na gestão da saúde mental.
  • Treinamentos para lideranças e equipes – Capacitação sobre segurança psicológica e prevenção de riscos psicossociais.
  • Acompanhamento de indicadores – Monitoramento contínuo para medir o impacto das ações implementadas.
  • Certificação em Segurança Psicológica – Reconhecimento oficial para empresas que adotam boas práticas na gestão da saúde mental.

Estar em conformidade com a NR-1 não é apenas uma exigência legal, mas uma oportunidade para fortalecer a cultura organizacional, reduzir afastamentos e aumentar a produtividade. Se sua empresa deseja criar um ambiente mais seguro, saudável e alinhado às melhores práticas de gestão, entre em contato com a Moodar e descubra como podemos ajudar nesse processo.

Segurança Psicológica · Gestão contínua

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