O que é Liderança Servidora e como aplicar os conceitos no dia a dia?

Escrito por: Equipe de Pesquisa e Desenvolvimento Moodar

Entendendo os papéis de uma liderança e os direcionando de forma mais estratégica

Não sei se você já viu a série The Office, mas ela ficou extremamente famosa por retratar situações - por mais bizarro que pareça - muito comuns no dia a dia de trabalho das pessoas. Essas situações, na maioria das vezes, são extremamente constrangedoras e fazem a gente ter vontade de se colocar dentro de um buraco e não mais sair. 

Um dos grandes orquestradores dessas situações na série é o personagem Michael Scott, o gerente do escritório. Michael é um poço de falta de noção e vive fazendo piadas sem graça e tentando ser o centro das atenções, contudo, ele é o tipo de chefe que você adora odiar, um sujeito meio pateta, mas no fundo com um coração de ouro. Para entender sa contradição nesse personagem, te convido a observar essas duas situações (spoiler alert, mas pouco, juro):

No vídeo abaixo você verá uma situação constrangedora ministrada pelo nosso chefe Michael. Situações como estas são as que tornam ele sem noção e insuportável.

Já na próxima situação temos um Michael diferente, muito carinhoso e atencioso com as necessidades dos seus colaboradores e, acredito que o ponto mais forte, cheio de propósito com o trabalho que sua empresa de maneira geral desempenha.

Michael, apesar de ser um personagem muito caricato, não é muito diferente de lideranças que a gente encontra por aí no mercado. Ele é um grande apaixonado pelo que faz, tem muito compromisso com sua empresa e, entre suas necessidades de ser amado ao mesmo tentar amar o seu time, falta nele uma visão mais direcionada e estratégica de como ser uma liderança efetiva.

Cenas da serie The office
Cenas da serie The office

A liderança servidora e suas vertentes

Se falta em Michael uma visão mais direcionada e estratégica de como ser um bom líder, que visão então seria esta? Pensando nos grandes desafios de ser uma pessoa que é líder nos dias atuais, um perfil que incentivamos aqui na Moodar é o da Liderança Servidora. Agora, para termos e ideias que caem cada vez mais nos reducionismos de seus conceitos, precisamos ir a fundo para entender que espécie de liderança é essa e que lentes temos que usar para sermos ela, na prática.

A liderança servidora é um conceito de liderança que se concentra na ideia de que um líder deve colocar as necessidades e interesses dos membros da equipe em primeiro lugar, em vez de se concentrar apenas em sua própria autoridade ou benefício pessoal. Em vez de serem vistos como "chefes" que comandam e controlam, os líderes servidores atuam como facilitadores, apoiando e capacitando seus colaboradores a alcançarem seu potencial máximo. Eles estão dispostos a ouvir, ajudar, orientar e fornecer os recursos necessários para que a equipe tenha sucesso. Esse estilo de liderança se baseia na crença de que, ao servir aos outros e criar um ambiente de trabalho positivo e colaborativo, os líderes podem promover o crescimento da equipe e, como resultado, alcançar o sucesso organizacional de forma mais eficaz. A liderança servidora enfatiza a empatia, a humildade e o compromisso com o bem-estar dos liderados.

Pensando por esse viés, um movimento necessário é fazer o cruzamento da modalidade de liderança (aqui abordada a liderança servidora) com o perfil pessoal que cada liderança possui em sua dinâmica de trabalho. Até porque ser uma pessoa servidora não significa ser uma pessoa também omissa de suas próprias vontades, expectativas e personalidade. 

Podemos observar que entre os inúmeros perfis, existem três mais caricatos:

  1. Lideranças “dão o sangue”: São as lideranças com o perfil mais atlético, como Kobe ou Jordan. Costumam dar tudo de si para conquistar seus objetivos e cativam todo o time por sua paixão pelo “jogo”. Muito comum na realidade esportiva, são aquelas pessoas extremamente focadas em uma vitória que as diferencie.
  2. Lideranças sociais: Já essas costumam cativar a humanidade com sua grande capacidade de empatizar. Possuem uma pauta e vão até o fim por ela, sempre em prol de uma causa maior e que geralmente está ligada ao outro. Atuam como quem denuncia a realidade atual e busca meios de transformá-la.
  3. Lideranças “shark tank”: Perfil de liderança mais empresarial e voltada à resultados. Consegue ter uma grande visão de negócios e entende maneiras de sempre potencializá-los. Está sempre negociando interesses em prol da organização.

Essa é uma tentativa de categorizar certos perfis, mas independente do tipo, ter um olhar direcionado também às pessoas, como é o da liderança servidora, é altamente possível. O importante é entender que, a depender da forma como se lida e gerencia o trabalho, é necessário seguir caminhos diferentes para o melhor direcionamento das ações no que tange o aspecto interpessoal.

O que, no fim, vai ser um fator mais fundacional para a efetivação do ser liderança é o entendimento de que por trás de todo um trabalho existe um impacto verdadeiro para ser alcançado. Lideranças possuem em comum, cada uma na sua realidade, um propósito muito bem definido em relação ao porque elas fazem o que fazem. Porque elas trabalham, porque elas direcionam pessoas, porque elas lidam com clientes… 

O propósito, na realidade atual do trabalho, está cada vez mais forte na vida das pessoas, de operacional ao estratégico, e essas lideranças precisam possuir um propósito muito bem definido para, de certa forma, aguentar o “rojão” que é ser líder. Contudo, nenhuma delas vai conseguir tangibilizar esse propósito sozinha. Esse é um dos principais motivos de que pessoas são o principal ativo que uma empresa pode ter. 

Para além de mudanças individuais, uma mudança estrutural

Como já defendido em outros momentos por nós, movimentações individuais são importantes para a transformação de um trabalho, mas se a estrutura dele não permite isso, a tendência é que uma boa vontade seja apenas uma boa vontade e não uma transformação. Dito isso, é insustentável querer ser ou estimular o surgimento de lideranças servidoras se a estrutura cultural, processual e estratégica da empresa não atribuem valor a isso.

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Em uma matéria publicada pela revista Time no início de 2023, foi perguntado para grandes executivos do mundo quais eram as prioridades estratégicas para o ano e todas trouxeram a acessibilidade às pessoas como ponto mais forte para assegurar a cultura, valores, motivação e engajamento. Ter um olhar direcionado para essas questões é extremamente importante para o crescimento do negócio, porque isso também é o negócio

No livro “Um Novo jeito de Trabalhar” são trazidas várias práticas do Google na sua estrutura processual de trabalho e lá eles defendem as seguintes questões quando se trata do papel  das lideranças:

  1. Tomada de decisão: Cada decisão compete a um grupo de pares, a um comitê ou a uma equipe específica.
  2. O que um gerente não pode fazer de forma unilateral: Decisões sobre contratações; demissões; avaliação de desempenho; aumento salarial, bônus e opções de ações; premiação do melhor gerente; promoções; sugestões a serem incluídas na base de código dos aplicativos da empresa; design final de um produto; e data de lançamento.

Então qual o papel principal da liderança? Seu principal papel é servir as equipes, entender como uma equipe pode chegar do ponto A ao ponto B da melhor forma possível, diminuindo, assim, os obstáculos do trabalho.

É nítido que uma transformação como essa não é feita do dia para a noite e muito menos é fácil de ser feita, de acordo com o próprio livro:

“É difícil, porém, construir esse lugar, porque a dinâmica do poder atua contra a liberdade. Os funcionários dependem dos gerentes e querem agradá-los. O foco em agradar o chefe, no entanto, significa que pode ser perigoso manter discussões honestas com ele. Mas, se não agradá-lo, talvez você se sinta receoso ou inseguro. Ao mesmo tempo, ele é responsável pelos resultados que você apresenta. E ninguém alcança os melhores resultados quando se perde nesse emaranhado de interesses e emoções, expressas ou tácitas.”

Ou seja, a aplicação de todas as premissas de ser uma liderança servidora é só capaz quando repensamos a estrutura e o poder nas organizações. É nítido, por sua vez, que nossas empresas ainda não são um Google a nível de tamanho e potência mundial, mas isso não diminui a necessidade de pensar em novas lentes para a gestão. Isso significa, por sua vez, descentralizar o poder com uma atribuição e distribuição nítida de papéis e autoridades, ter uma comunicação aberta e transparente sobre as diversas necessidades existentes na organização e valorizar a colaboratividade e coletividade da equipe para além de apenas os desempenhos individuais

Imagem de um homem branco com tablet

Permitir a existência de lideranças servidoras passa por também permitir culturas que tenham como base a ativação do capital humano. Isso é dado por:

Propósito evolutivo. Lideranças inclusivas que conseguem envolver todas as pessoas no processo evolutivo. Estão atentas em ouvir o presente para entender o real propósito de um time.

Autogestão. Buscam direcionar pessoas ao mais alto grau de autonomia sempre atrelada à colaboratividade. Conseguem deixar nítidos os papéis que cada pessoa do seu time precisa desempenhar.

Integralidade. Entendem o trabalho, antes de tudo, como um ambiente social. A liderança permite que a afetividade e vulnerabilidade tomem conta fazendo com que pessoas possam ser autênticas naquilo que desempenham.

Assim, finalizo relembrando os perfis de lideranças que falamos no início (dão o sangue, sociais e shark tank), mas sugerindo que reflitamos sobre um quarto tipo: as lideranças Yoda. No filme Star Wars a frase “Que a força esteja com você”, no roteiro inicial, era “Que a força esteja entre nós”. As lideranças Yoda entendem que existe algo entre as pessoas, conseguem ser sábias, falar na hora certa e escutar na hora certa também. Possuem um viés colaborativo, buscam ajudar da melhor forma, sempre entendendo que a força está entre nós, pessoas, trabalhadoras, que fazem o propósito acontecer. 

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